23 a 29 de Janeiro de 2006 nº 317    

Pesquisadores discutem criação de programa de educação para o jovem rural

Os Centros Familiares de Formação por Alternância (Ceffas), que garantem escolarização a jovens do campo, poderão contar com um importante apoio: o Programa Nacional de Educação. A criação deste programa foi alvo de discussão durante uma semana, em Brasília, entre pesquisadores, educadores e representantes dos Ceffas de vários estados. O objetivo é buscar recursos financeiros para que os Ceffas possam continuar seu trabalho de escolarização de jovens agricultores familiares, permitindo melhor qualificação profissional, gerando trabalho e renda no campo e melhor qualidade de vida das famílias rurais.

Reunidos na sede da Secretaria de Agricultura Familiar (SAF) do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), os participantes dos debates entregaram, no dia 19 de janeiro, ao secretário de Agricultura Familiar do Ministério, Valter Bianchini, o documento preliminar do Programa Nacional para a avaliação da Secretaria.

Hoje, o Brasil conta com 239 Centros Familiares, distribuídos em 19 estados da federação, envolvendo mais de 800 municípios e atendendo, atualmente, cerca de 20 mil jovens, filhos de agricultores familiares. Em três décadas de atuação, os Ceffas já formaram mais de 50 mil jovens.

Segundo Valter Bianchini, o MDA já vem apoiando o trabalho dos Ceffas. Neste ano, serão investidos R$ 10 mil em cada escola familiar para o fortalecimento da extensão rural. Isso significa cerca de R$ 2,5 milhões para todo o Brasil. Para o crédito rural serão aproximadamente R$ 30 milhões. “Em 2006, vamos articular e avançar no fortalecimento dos centros familiares de alternância e da juventude rural”, garante Bianchini.

Para o secretário executivo da União Nacional das Escolas-Família Agrícolas do Brasil (Unefab), David Rodrigues de Moura, o grande problema hoje enfrentado pelos Ceffas é a manutenção. “Os recursos que buscamos chegam de forma pontual, o que dificulta a sustentabilidade”, diz. Ele afirma, ainda, que há grande procura, nos municípios, para a criação de novos Centros e que vê nesse Programa Nacional a possibilidade de continuação do projeto de formação do Ceffas com todas as suas atividades, desenvolvendo projeto de extensão e de assistência aos agricultores familiares.

Metodologia de alternância
No processo educativo denominado metodologia da alternância, o aluno passa parte do tempo na escola e outra parte em sua comunidade de origem. Nessa metodologia, a etapa em casa é importante, já que a família ajuda a elaborar o processo de educação da escola. O aluno tem uma participação na sua comunidade, desenvolvendo ações como a assistência técnica e extensão rural, orientadas pelos professores e monitores, além de ter um projeto de atuação na comunidade.

A articuladora nacional dos Ceffas, Marcialene Preisler, destaca que o Programa implementará a educação contextualizada e voltada para o jovem do campo, contribuindo para o êxito das políticas públicas de desenvolvimento rural, como reforma agrária para jovens e adultos, qualificação e acesso ao crédito, assistência técnica de qualidade, dentre outros.

Fonte: Ascom/MDA


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