Artigo do MêsComunidade negra rural: um velho tema, uma nova discussão Interessa aqui a percepção de como os grupos sociais agora denominados remanescentes de quilombos ao longo do tempo receberam várias outras designações. Estas, genericamente, foram emitidas de fora para dentro. Raras são as designações originadas a partir da visão interna desses grupos sociais. A princípio, estas unidades sociais foram designadas de comunidades negras, pelo movimento social. A designação, contudo, foi logo reconhecida como uma categoria complexa, de significação muito abrangente, podendo ser empregada para indicar qualquer situação social em que os agentes a ela referidos se auto-representassem como “pretos” e/ou descendentes de escravos africanos que vivessem em meio urbano ou rural. Em virtude disto, ainda que essa designação não perca o caráter genérico, o referido movimento prefere utilizar, no momento, atual a denominação comunidades negras rurais. De modo particular, a nossa experiência de trabalho de campo com áreas assim classificadas inicia-se exatamente em agosto de 1986. Os primeiros contatos foram feitos com a finalidade de verificar e registrar, localmente, a existência de conflitos pela disputa da terra, nos Estados de Goiás (LINHARES, MOTA e SPRANDEL, 1986) e Maranhão, no período da Assembléia Constituinte. Em 1988, no Maranhão o Projeto Vida de Negro, vinculado à Sociedade Maranhense de Defesa dos Direitos Humanos/SMDDH e ao Centro de Cultura Negra do Maranhão/CCN, iniciou o levantamento das situações sociais passíveis de reconhecimento pelo artigo 68 do ADCT e de seus respectivos territórios. |